7 de mai. de 2019

Discovery Channel faz gravações no Pará sobre ocorrências extraterrestres dos anos 70


Arquivo pessoal


A equipe da Discovery gravou entrevista de mais de 5 horas com Carlos Mendes. (Arquivo pessoal
Uma equipe do Discovery Channel está no Pará gravando um episódio da série americana sobre 
contatos extraterrestres. A emissora está entrevistando testemunhas sobre as aparições de naves
 e ataques a vítimas que foram registrados entre os anos de 1977 e 78 na ilha de Mosqueiro, 
distrito de Belém, e nos municípios de Colares, Vigia, Santo Antonio do Tauá, Viseu, Benevides e
 outros. Na época, as vítimas relataram que foram atacadas por focos de luzes que desciam do
 céu e causavam perfurações no corpo possivelmente para extrair amostras de material orgânico.
 Por isso, o supostos seres alienígenas ficaram conhecidos como "chupa-chupa".
A série chamada "Unidentified: The Hunt For Contact" (Não Identificado: A Busca pelo Contato) 
será exibida inicialmente na Europa e nos Estados Unidos.
Na quarta-feira, 1, os produtores da emissora americana estiveram em Belém entrevistando o
 jornalista Carlos Mendes, que cobriu os fatos na época pelo jornal O Estado do Pará. Este ano,
 ele publicou o livro-reportagem sobre o assunto chamado "Luzes do Medo". Nesta quinta-feira, 2,
 a equipe seguiu para Bragança, no Nordeste Paraense, onde reside atualmente a médica 
Adelaide Cecim, que atendeu várias vítimas atacadas em Colares. 
O Discovery também deve fazer gravações em Vigia e Colares, onde foram registrados o maior
 número de ocorrências. Antes de chegar ao Pará, a série já realizou gravações no Chile, Argentina,
 Estados Unidos e países da Europa, informa Carlos Mendes.
Livro
O livro de Carlos Mendes reúne reportagens autorais e de outros jornalistas que foram publicadas
 na imprensa local, na época, além de entrevistas exclusivas e informações de bastidores sobre
 as investigações do caso. No período das ocorrências, a Aeronáutica enviou uma equipe para
 apurar as estranhas aparições de naves e ataques, por meio da Operação Prato, coordenada 
pelo Coronel Uirangê Holanda, já falecido. "As aparições de naves eram praticamente diárias. 
O jornal Estado do Pará tinha muitas fotos que foram confiscadas pela Aeronáutica. Não se fala 
em naves alienígenas porque não se sabe se eram daqui ou de outros planetas (...) Nem todos 
os ataques de luzes tiravam sangue. Só eu entrevistei mais de 80 pessoas", recorda. 
"Os relatórios das Forças Armadas (da operação) continuam secretos. Provo no livro que não 
revelaram tudo. Eles tinham mais de 1.500 fotografias e 16 horas de filmes. Os americanos 
enviaram equipamentos poderosos (avançados, de captação de imagens) para eles. Onde está 
esse material?", questiona o jornalista. Mendes conta no livro algumas revelações em entrevista
 feira em 2016 com o coronel aposentado Camilo Ferraz de Barros, que comandava o serviço
 secreto da Aeronáutica em Belém durante o regime militar. Assim como descreve a relação dos
 veículos de imprensa com o governo ditatorial, que, por meio do Serviço Nacional de Investigação
 (SNI), subtraiu fotografias dos ovni's, como revelou o falecido jornalista Walmir Botelho, 
editor-chefe de O Estado do Pará, em entrevista concedida em 2017.
Ainda, Carlos Mendes conta a história suspeita de um peruano que se apresentou para aprender jornalismo na redação de O Estado do Pará para acompanhar a equipe de reportagem na cobertura
 do caso supostamente com o intuito de roubar fotografias do veículo. "Ele alegou que era estudante
 da UFPA, mas descobrimos que não era e que usava nome falso. Flagrei ele falando com o Coronel 
Holanda e o SNI. Um dia enchemos ele de cachaça e o pressionamos com a ajuda de policiais. Ele confessou que queria 
roubar as fotos, mas não entregou tudo. Depois ele sumiu. Achamos que era
 um agente infiltrado da CIA (serviço americano de espionagem)", conta.
"Passados 42 anos o caso ainda é motivo de atenção dos principais canais de
 TV do mundo
 interessados em fenômenos inexplicáveis." O livro do repórter ainda será lançado em Belém.

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